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Quase um mês e meio após a realização da actividade, resolvi empreender a tarefa, para a qual tinha sido convidado, ainda na viagem de regresso, pela coordenadora da mesma, a Beatriz Silva, a de pensar e elaborar um pequeno relatório sobre o que vivenciamos, os dez elementos, nos dias 29 e 30 de Novembro de 2014, na Sanabria e na ascensão ao Peña Trevinca, tendo como auxiliares de memória, pequenos testemunhos escritos por mão própria, em pequenos papelitos, que me foram entregues na ocasião.

Por manifesta falta de tempo e problemas do foro íntimo e familiar, que me absorveram o pouco tempo que ainda tinha e me deixaram um pouco, sem vontade e paciência, para duas coisas que adoro fazer, a leitura e a escrita, deixei passar os dias, mas finalmente vos apresento este relatório, esperando que seja do vosso inteiro agrado.

Valdemar Freitas

Relatório da Actividade

Para alguns de nós, era mesmo a primeira vez, não só na Sanabria, como até em actividades de montanha, com neve, como se previa que acontecesse neste caso, ou mesmo sem ela.

Era portanto, desconhecido de alguns, a viagem que tínhamos de fazer, os caminhos que teríamos que trilhar, os refúgios onde iríamos pousar ou pernoitar e tudo o resto, passando pelas magnificas paisagens que deslumbram, sempre que aí se chega.

Daqui se depreende que, mesmo com toda a informação possível, transmitida na preparação prévia da actividade, tanto na reunião da véspera da saída, realizada na sede do Alto Relevo, como a que os elementos já conhecedores da Sanabria e de todas as suas condições, transmitiram aos estreantes, nada, mas mesmo nada é melhor, do que sermos nós próprios a conhecer a realidade e, dito por duas outras palavras, que de ora em diante, acompanharão todo este relatório, saber o que essa realidade, nos poderia revelar de CONFORTO e de LIMITE.

Mas, perguntam vocês, vem estas palavras a jeito de quê?

Vem a propósito, estas duas palavras dos sacos-cama, para este relatório, pois as mesmas, foram debatidas e discutidas, por todos, de forma séria e a brincar, em diversos contextos, à noite no refúgio de Vega del Conde, se estão bem recordados.

Pegando nas mesmas, vamos a factos e ao que verdadeiramente interessa.

Todos nós, sem excepção, saímos do nosso lar e da caminha quentinha, onde temos o CONFORTO de um bom sono, para uma viagem de 300 e poucos km, iniciada às cinco e pouco da manhã, sabendo de antemão, que íamos para um refúgio, onde no LIMITE, podemos não ter um dormir descansado, seja pelas condições, pelo frio ou pelo ressonar, que quase todos negam ter e depois se comprova que alguns têm.

Horas depois, um pouco atrasados, em relação à hora prevista de chegada e apropriada para a início da caminhada até ao refúgio, por imprevistos de última hora mas também por pequenas coisas que se podem e devem evitar em futuras actividades, deixamos o parque de estacionamento e, nos carros o CONFORTO de uma muda de roupa seca, para a eventualidade de no regresso, podermos ter a inconveniente chuva, que no LIMITE máximo, nos poderá molhar, da cabeça aos pés.

Com muita neve fofa pelo caminho e muitas surpresas molhadas, onde todos nós nos enfiamos e uns mais do que outros, molhamos meias e pés, com a água que nos entra por cima das botas, de nada valendo o CONFORTO do Gore-TEX, se muitas vezes o LIMITE que a água atinge, ultrapassa os joelhos, e, passadas umas boas três horas e meia, chegamos ao refúgio de Rio Pedro, onde tínhamos intenção de deixar as mochilas “grandes e pesadas” e, partimos para a ascensão ao Trevinca, com as mochilas, ditas de “ataque”.

O primeiro contratempo não tardou.

No LIMITE dos limites, o tempo que tínhamos até ao cair da noite, num dia curto de Novembro, já não nos permitia a ascensão ao Trevinca, com o devido CONFORTO, prevista para o primeiro dia da actividades e, havia que repensar o que fazer para ocupar o resto da tarde.

Primeiro, comer qualquer, depois decidir em qual o refúgio haveríamos de pernoitar.

Se no do Rio Pedro, muito pequeno e com fracas condições, se noutro junto a um lago, já com melhores condições mas ainda pequeno ou se por aquele que já alguns conheciam, o de Veja del Conde, maior e com condições mais favoráveis à pernoita de dez pessoas.

Foi fácil decidir entre o CONFORTO deste último refúgio e a possibilidade de termos nos outros dois, condições que apenas se deveriam ter em último caso. Ou seja, perante a hipótese de não termos mais opções ou de termos que nos abrigar, em casos de condições climatéricas, que no LIMITE, a isso nos obrigaria, todos escolheram a melhor opção.

Com uns primeiros pingos frios de chuva, partimos para o nosso refúgio, indo já pelo caminho apanhando alguma lenha mais seca, para à lareira nos aquecermos, antes e depois do jantar que seria também ele quente.

Os momentos de convívio nos refúgios de montanha, onde não há novas tecnologias, são sempre agradáveis pela troca de experiências, pelo que se aprende em grupo, pelas discussões sérias mas também pelas brincadeiras e sobretudo pelas tomadas de decisão que aí são tomadas, em relação à actividades em curso, como também aqui aconteceu.

A coordenadora da actividade, Beatriz, propôs que fizéssemos a ascensão ao Trevinca no Domingo, se as condições de tempo fossem favoráveis e que para isso, saíssemos pelas cinco da manhã do refúgio, uma vez que previa que para a subida e descida, precisássemos de no mínimo umas boas sete horas.

Foi-nos pedido que, preparássemos todo o equipamento necessário e o reforço alimentício que cada um achasse por bem levar e que deixasse já a mochila de ataque pronta, tendo ainda em atenção o tempo necessário, para o acordar, tomar algo quente e estar prontinho para a saída à hora.

Aqui surgiu o segundo contratempo, se assim se pode dizer.

Às cinco, só três de nós (Beatriz, Júlio e Valdemar) podíamos arrancar para a ascensão e, mesmo com uma margem de quinze minutos (CONFORTO), o certo é que atingido esse LIMITE, só mais três se aprontaram para o caminho (Lília, Liliana e o Luís França).

Formaram-se então dois grupos, o que iria arrancar de imediato, liderado pelo Júlio, composto ainda pelo Valdemar, pelo Luís França, pela Lília e pela Liliana e um segundo grupo que iria sair com algum atraso, liderado pela Beatriz e onde se incluíam o Augusto, o António Pinto, o Joaquim Seca e o Luís Teixeira.

Com um forte andamento inicial, o que fez com que a Liliana optasse, logo à saída do refúgio por ficar para o grupo retardatário, os quatro elementos que agora compunham o primeiro grupo, de frontais na cabeça, rumaram ao alto do Trevinca, tendo ainda pela frente umas duas horas e meia de tempo escuro.

Há aqui, na minha opinião, um primeiro aparte a considerar e uma conclusão a retirar.

Bem, não somos nem podemos ser todos iguais, é certo, uns são mais demorados do que outros, mas convém referir que neste tipo de actividades, faz toda a diferença ser pontual ou não, ter todo o equipamento pronto ou não, acatar as recomendações ou não (houve pelo menos uma que não foi cumprida – que o primeiro grupo esperasse pelo segundo grupo, junto do refúgio do lago), porque o que normalmente acontece é que o que deveria ser um grupo, se desfaz em subgrupos, por vezes com atitudes totalmente contrárias.

O grupo da frente (onde me incluía e por isso de ora em diante apenas poderei relatar as peripécias que vivi) foi seguindo o trilho, com algumas breves paragens, uma vez que o frio não permitia que se parasse por muito tempo e se arrefecesse, paragens estas com o intuito de avistar o grupo que vinha atrás e tentar perceber o tempo e a distância que nos separavam.

Por momentos, conseguimos avistar os focos dos seus frontais, lá muito ao longe e ao que nos pareceu, já divididos em dois grupos, um pouco afastados.

Continuamos caminho e já com o raiar do dia e subindo a encosta, conseguimos ver ao longe os nossos companheiros, até que de repente se levantou uma forte neblina acompanhada de vento frio, encobrindo todo o vale, impedindo de os voltarmos a ver e apenas ouvir os seus apitos.

À nossa frente estava perto o cume, deveriam falar um 100m de altitude e, apesar de estar muito frio e haver já pedaços de gelo, tínhamos visibilidade e condições para terminar a ascensão, o que fizemos os quatro, passado que foi pouco tempo.

No cimo, pressentimos que o outro grupo teria optado por não concluir a ascensão, muito provavelmente por causa da neblina que encobria o vale e metade da encosta que subiam e, perante tal facto e pelo muito frio que estávamos a sentir no topo do Trevinca, optamos por comer algo muito rápido, tirar também num flash a foto de grupo para a posteridade e descer o mais rápido possível, antes que arrefecesse-mos ou que o tempo nos pregasse alguma partida.

Com as cautelas devidas, na parte mais complicada da descida, devido ao algum gelo que aí havia, em pouco tempo já nos encontrávamos no trilho sem neve e perante uma mudança de tempo agradável, com uns quentinhos raios de sol, a dar brilho a todas as linhas de água, visíveis no vale do Tera.

Se a subida nos levou três horas, a descida demorou um pouco menos, não pela dificuldade em si, mas porque viemos a desfrutar da paisagem e a parar por diversas vezes para tirar as fotos que não podemos tirar na subida, ora por ser de noite, ora porque o tempo o não permitiu.

Apenas os quatro fizemos ascensão, mas em algum momento ultrapassamos o LIMITE razoável para este tipo de actividade, sempre com o pensamento que as condições que tínhamos enquanto subíamos, nos permitiam algum CONFORTO físico, psicológicoeclimático, senão, não o teríamos efectuado, pois a decisão da subida final, foi do acordo de todos.

Chegamos ao refúgio um pouco antes do almoço e da hora que a Beatriz tinha previsto e a tempo de almoçarmos, preparar a mochila para o regresso, fazer as devidas limpezas e todos juntos, antes da partida para os carros, tirarmos a foto de grupo com a bandeira do nosso clube.

A longa caminhada que tivemos pela frente até aos carros, custou a todos, não muito pelas subidas, pela neve que nos cansa, pelas poças de água que nos molham ou pelo peso das mochilas, mas sobretudo por deixar para trás tudo o que a natureza nos pode oferecer num ambiente magnifico, como o da Sanabria e todas as suas montanhas, lagos, fauna e flora.

Conclusão

No geral, segundo os testemunhos que li, todos gostaram desta actividade, mesmo com um único apontamento que no dia da ascensão, se perdeu o espírito de camaradagem e de grupo, ao nos separarmos, o que na minha opinião deve ser um ponto a corrigir e a não deixar que tal volte a acontecer.

Para isso, acho que se deve optar por levar em próximas actividades equipamentos do tipo Walkie-Talkie, se possível com capacidade de comunicação até 10 km, para os líderes puderem comunicar entre si e saberem das situações em que se encontram os respectivos grupos e tomarem as decisões que acharem por bem.

Mas, ainda na minha opinião, penso que se deve corrigir e acatar com mais disciplina as questões da pontualidade ou da falta dela, da preparação prévia dos equipamentos a utilizar em toda a actividade bem como não descurar a preparação física e de saúde que este tipo de actividade exige.

PS – em toda a minha viagem de carro, ida em volta, houve uma bonita discussão, tipo guerra de sexos, entre a única mulher (Liliana) e os quatro homens que a acompanhavam.

Falou-se de muita coisa, males dos homens e das mulheres mas também de coisas boas, de que todos somos capazes para agradar a elas e a eles e, para acabar, ainda houve tempo para se falar de outro CONFORTO e de outro LIMITE.

Desta vez dos decotes das senhoras, isso mesmo, no CONFORTO de certos e daqueles que ultrapassam o LIMITE, para gáudio de quem gosta de os apreciar.

A guerra, acho que quem a venceu foi a Liliana, um a quatro. LOL.

 

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"... A espeleologia dificilmente pode ser considerada de competitiva. Contudo, através das técnicas convencionais criou-se um conjunto de modalidades de competição desportiva, dirigidas a avaliar a velocidade, a resistência e a técnica dos atletas. ..." botao tpv 

 

(excerto do documento da prova do 1º Campeonato Nacional de TPV 2011 - Valongo)

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